MUITO MAIS DO QUE AS LINHAS QUE DELIMITAM O CAMPO

quinta-feira, 12 de maio de 2011

ENSINANDO JOGADORES INTELIGENTES



Depois de muito tempo (mas muito tempo mesmo!), consegui me organizar para voltar a escrever aqui. Após o fim do ano (e da faculdade também), uma série de mudanças ocorreu e uma nova caminhada começou. E foi por ela que acabei adquirindo o livro que comentarei agora.

Desde que comecei a trabalhar no futebol, percebi que os jogadores brasileiros, apesar da mágica que conseguem criar dentro de campo, são muito limitados nas questões táticas individuais e coletivas.

Crescemos com uma bola nos pés e pensamos o jogo apenas em função da bola, sem pensar em um aspecto muito importante que é a ocupação do espaço correto, tanto na parte ofensiva quanto na defensiva.

Há cerca de dois meses comecei a trabalhar como treinador e preparador físico nas equipes Sub-13, Sub-15 e Sub-18 de futebol feminino em São José dos Campos/SP, que são mantidas pela secretaria de esportes do município através do projeto “Atleta Cidadão”. Enxerguei aí a possibilidade de começar a formar atletas sem vícios de jogo e com uma visão mais global do que é o futebol.

O livro “Fundamentos Tácticos Individuales y Colectivos”, do professor Manuel Aguado é muito interessante neste aspecto por mostrar de forma clara através de ilustrações e comentários bem explicados as ações que um ou vários atletas devem realizar para que as engrenagens do jogo funcionem de maneira correta.

Além das explicações, o livro apresenta alguns exercícios que podem ser utilizados para que os atletas entendam seu papel dentro de campo, não apenas decorando o que deve ser feito, formando assim um atleta que trabalhará em função do esquema de jogo, equilibrando a equipe e desenvolvendo sua função individual de forma inteligente.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SOMOS MARSHALL


Acho interessante como os cineastas de Hollywood conseguem dramatizar uma história que por si já é extremamente trágica, e ainda por cima fazem um filme que nos deixa ligado na tela o tempo todo (e reclamando da TNT por ter comerciais tão longos).

Geralmente nos Estados Unidos, pequenas cidades interioranas se envolvem fervorosamente com algum esporte colegial ou universitário. Tornam-se devotos ao ponto de fecharem os comércios e rumarem todos juntos para os monumentais gigantes de concreto que destoam da arquitetura local e fazem inveja a estrutura de clubes da elite do nosso futebol.

Agora, imaginem vocês quando uma equipe inteira, comissão técnica e pessoas ilustres desta cidade morrem em um acidente de avião a poucos minutos de pousar, o que acontece?

Essa é a história do filme “Somos Marshall” (We Are Marshall, 2006) do diretor McG. Ao voltar de um jogo na Carolina do Norte acontece o acidente aéreo em um bosque já na cidade de Hutington, sede da Universidade Marshall, em 1970.

Após o desastre, a reitoria da universidade se vê em meio a um dilema: encerrar o programa de futebol americano ou tentar resgatar o orgulho que a cidade tem da equipe e montá-la rapidamente para a próxima temporada.

Apesar da vontade do conselho diretivo da universidade ser de encerrar o programa, até por motivos pessoais de alguns integrantes, o reitor Donald Dedmon decide manter o time em virtude de um pedido de três jogadores que não viajaram com a equipe por estarem lesionados.

O grande problema agora era conseguir uma nova comissão técnica e jogadores, pois o regulamento da NCAA (National Collegiate Athletic Association, órgão regulamentador do esporte universitário nos EUA) não permitia a participação de calouros nos jogos. Além disso, o único integrante da comissão que sobreviveu por ter que viajar de carro para recrutar novos jogadores foi o auxiliar técnico Red Dawson (interpretado por Matthew Fox, o Jack de Lost), o qual não quer mais trabalhar com futebol. Outros treinadores que foram ex-jogadores da Marshall também recusam o convite (a universidade tinha a tradição de contratar apenas treinadores principais que tivessem algum vínculo com eles) tornando a reconstrução mais difícil ainda.

Porém, o reitor recebe uma carta de Jack Lengyel (Matthew McCoaughey, de Como Perder Um Homem Em 10 Dias), que decide sair do time em que trabalha para ajudar a cidade de Hutington a ter novamente um time de futebol americano.

Com seu jeito peculiar, o treinador Lengyel consegue trazer Dawson de volta, monta um staff técnico e, através do reitor, consegue uma autorização da NCAA para jogar com um time praticamente montado por calouros, inclusive alguns que nunca haviam jogado futebol.

Mesmo com uma temporada péssima em questão de resultados, Lengyel monta o embrião do que seria um dos grandes programa de futebol americano universitário dos Estado Unidos, ganhando diversos títulos estaduais e nacionais nas décadas seguintes.

P.S.: Nas universidades dos Estados Unidos as modalidades esportivas praticadas são contempladas como “programas”, pois não existe a prática de todas as modalidades nas universidades. São escolhidos os esportes que receberão verba para a formação de equipes de competição de alto rendimento.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

TUDO SOBRE ESPORTES


Caros leitores, mais uma vez, desculpe pela demorar em postar um novo texto. Acredito que a partir do ano que vem essas postagens sejam um pouco mais freqüentes, dado o fato de que termino (finalmente!!!) a faculdade.

A publicação sobre a qual vou tratar hoje deveria ser pedida obrigatória em todas as faculdades de Educação Física do Brasil. Não que trate cientificamente de algum assunto muito estudado na nossa área, mas trata de um conhecimento pouco difundido, principalmente pelos profissionais da área de esporte.

Estou falando do livro “História dos Esportes”, do jornalista esportivo Orlando Duarte. Em quase quinhentas páginas são contadas as histórias de 129 modalidades esportivas, atividades físicas e também culturais, sendo um material muito importante para os professores de Educação Física, principalmente no âmbito escolar, pois a partir deste novo conhecimento, pode apresentar novas alternativas para seus alunos.

Comprei este livro quando ainda cursava Jornalismo e até hoje não consegui ler todos os textos, mas invariavelmente corro ao seu índice e escolho alguma modalidade inusitada, desconhecida ou pouco divulgada. Ali encontro as principais regras, como o esporte foi criado, os países e atletas de destaque e várias outras curiosidades.

Só para se ter uma idéia, alguém sabe o que é Columbofilia? Luge? Orienteering? Rummikub?

A columbofilia é a criação e treinamento dos pombos-correio para que saiam de um determinado ponto geográfico e voem até o ponto de chegada no meno tempo possível.

O luge era somente praticado em países muito frios, sendo a descida em trenós de dois ou quatro lugares por uma pista em declive com curvas acentuadas, esporte que ficou muito conhecido com o filme “Jamaica Abaixo de Zero”. Hoje existe também o stree-luge, que é um trenó individual ou de duplas para descidas em pistas asfaltadas.

Orienteering era uma forma de treinamento do Exército da Suécia que transformou-se em esporte. Seus praticantes devem, em meio a floresta, terminar um percurso no menor tempo possível, guiando-se através de mapas, bússolas e pontos de controle.

Já o rummikub é uma atividade lúdica, que envolve inteligência e raciocínio, desenvolvida em Israel e já espalhada pelo mundo todo, tendo inclusive campeonatos mundiais. Pode ser jogado entre duas, três e quatro pessoas, as quais devem formar sequências numéricas com as pedras de mesma cor (azul, amarela, preta e vermelha). É um jogo muito interessante em que eu e minha família passávamos horas na mesa.

Se você gostou de conhecer estas modalidades, muitas outras estão descritas neste livro que considero um dos mais importantes e divertidos da minha coleção.